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“A construção será cada vez mais tecnológica, sustentável e industrializada”

Entrevista com José Luís Castro, CEO do Grupo Sotecnisol

Ana Ferreira31/03/2026
Num contexto em que o setor da construção em Portugal enfrenta desafios estruturais — da escassez de mão de obra qualificada à pressão sobre custos, prazos e exigências ambientais — as empresas são chamadas a apostar na inovação e na eficiência para manter a competitividade.

Com 55 anos de atividade, o Grupo Sotecnisol afirma-se como um dos players portugueses mais versáteis nas áreas da construção, energia, ambiente, água e agroindústria, com presença em Portugal, Espanha, França, Angola e Moçambique.

Nesta entrevista, José Luís Castro revisita os principais marcos da história do grupo, aborda a estratégia de crescimento e internacionalização e partilha a sua visão sobre os desafios e oportunidades que se colocam ao setor da construção nos próximos anos.

José Luís Castro, CEO do Grupo Sotecnisol
José Luís Castro, CEO do Grupo Sotecnisol.

O Grupo Sotecnisol celebra 55 anos de atividade. Que marcos considera mais determinantes na sua evolução?

Ao longo destes 55 anos, houve vários momentos decisivos. Um dos mais importantes foi quando decidimos estar geograficamente mais próximos dos nossos clientes, através da abertura de diversas delegações, ao longo dos anos. Hoje estamos presentes em sete pontos do país: Lisboa, Leiria, Coimbra, Porto, Gaia, Palmela e Algarve, e ainda este ano abriremos uma nova delegação em Vila Real. Outro marco fundamental foi a expansão internacional. Para além de Portugal, temos presença em Espanha, França, Angola e Moçambique. Esta internacionalização elevou a nossa exigência interna, reforçou competências e consolidou o Grupo Sotecnisol como um player com dimensão e ambição global.

Entrou na empresa em 1992, numa realidade muito diferente. Quais foram os fatores-chave da transformação até ao grupo atual?

Quando entrei, éramos uma empresa que faturava cerca de 6 milhões de euros por ano. Em 2026, somos um grupo composto por mais de 20 empresas e iremos atingir aproximadamente 100 milhões de euros de faturação. Esta evolução resulta de uma transformação profunda - começámos como uma empresa especializada em impermeabilizações e hoje operamos de forma integrada nos setores da construção e engenharia, energia renovável, recursos humanos e agroindústria e disponibilizamos praticamente todas as especialidades do setor da construção, desde impermeabilizações, fachadas ventiladas, eletricidade, AVAC, caixilharia e a comercialização de materiais através do obras360.pt, entre muitos outros.

Como caracteriza hoje o posicionamento estratégico do grupo no setor da construção?

Posicionamo-nos como um parceiro ‘one-stop-shop’ na construção. A integração de diferentes especialidades num único projeto é assegurada através de estratégias de cross-selling que promovem sinergias entre as várias empresas do Grupo. Esta abordagem permite-nos oferecer soluções completas e coordenadas, com maior eficiência na gestão das obras, melhor controlo de prazos e custos, bem como uma resposta técnica integrada. Esta capacidade multidisciplinar é um dos nossos principais fatores diferenciadores no mercado.

Que papel tem a presença internacional na estratégia de crescimento e diversificação?

Em Portugal, temos uma presença robusta, com escritórios e obras de norte a sul do país. A nível internacional, destacamos a crescente presença em Espanha e França. Em Espanha, temos escritórios em Madrid e Barcelona. Em França, estamos sediados em Paris e desenvolvemos projetos em várias regiões, por exemplo, participámos recentemente na expansão do Metro de Toulouse, uma obra de elevada exigência técnica. Além disso, temos também presença em Angola e Moçambique.

Sotecnisol participou na obra de expansão do Metro de Toulouse, França

Sotecnisol participou na obra de expansão do Metro de Toulouse, França.

O mercado internacional, em particular o francês, é extremamente exigente e isso obriga-nos a elevar permanentemente os nossos padrões e permite-nos trazer conhecimento e competências que aplicamos em Portugal. Um exemplo claro foi a obtenção da certificação ASQUAL, a mais exigente certificação no setor das impermeabilizações e necessária para realizar obras em França, tornando-nos a única empresa da Península Ibérica com este reconhecimento.

Como se articulam as diferentes empresas do grupo e que sinergias têm sido mais relevantes?

As sinergias mais relevantes têm ocorrido sobretudo em dois eixos principais. Por um lado, a reabilitação de coberturas associada à instalação de sistemas fotovoltaicos, onde conseguimos intervir simultaneamente na melhoria da envolvente do edifício e na sua eficiência energética. Esta combinação tem sido particularmente valorizada pelos clientes, porque permite resolver duas necessidades numa única intervenção.

Por outro lado, temos uma forte complementaridade entre fachadas ventiladas, caixilharia e impermeabilização. Este conjunto de competências traduz-se na capacidade do Grupo Sotecnisol de trabalhar todo o envelope do edifício, garantindo uma abordagem integrada em termos de desempenho térmico, estanquidade e durabilidade.

Além disso, em todas as obras existe também a oportunidade de criar sinergias com o Obras360, a nossa empresa de distribuição de materiais de construção, onde o cliente encontra praticamente todos os materiais necessários para qualquer obra, quer através da plataforma online quer numa das sete lojas físicas, com a vantagem adicional de assegurarmos a entrega diretamente na obra com camião-grua.

Quais foram os principais motores do recente crescimento da faturação e que áreas apresentam maior potencial futuro?

O crescimento em 2025 foi impulsionado pelo desempenho notável de várias empresas do Grupo, em diferentes setores de atividade, refletindo a solidez e a diversificação estratégica que temos vindo a consolidar.

Destaco, desde logo, o Obras360 que encerrou o ano com uma faturação de 20 milhões de euros. A Sotecnisol Coberturas e Fachadas, especialista em soluções para a envolvente dos edifícios - impermeabilização, isolamento e reabilitação de coberturas e fachadas - obteve também um desempenho muito positivo, registando uma faturação de 15 milhões de euros. Também a 2WORK, empresa especializada em trabalho temporário, teve um crescimento muito significativo, alcançando 8 milhões de euros de faturação em 2025.

Em termos de potencial futuro, acreditamos que as áreas da energia renovável e industrialização da construção continuarão a ser motores de crescimento.

Que investimentos estruturantes estão previstos a curto e médio prazo?

Em termos de investimentos previstos a curto/médio prazo, destaco quatro investimentos estratégicos: Expansão da Output - a construtora do Grupo, para o Algarve; Abertura da nova delegação em Vila Real; Entrada no serviço de caixilharia; Abertura da 2WORK, empresa de trabalho temporário do Grupo, no Porto, reforçando a proximidade aos clientes do Norte.

Como avalia o atual momento do setor da construção e das infraestruturas em Portugal?

O setor continua a crescer, impulsionado por investimento público e privado. É um momento que deve ser aproveitado com visão estratégica.

Canal do rio Mira, obra realizada pelo Grupo Sotecnisol e concluída em 2025

Canal do rio Mira, obra realizada pelo Grupo Sotecnisol e concluída em 2025.

Que projetos ou soluções inovadoras destacaria como mais transformadores dentro do grupo (na área da construção)?

A industrialização da construção é uma das nossas apostas estratégicas. Permite-nos responder à escassez de mão de obra, aumentar previsibilidade, controlo de qualidade e eficiência nos prazos.

Ao transferir produção para ambientes controlados, como unidades de pré-fabricação, reduzimos desperdícios, riscos e aumentamos produtividade. Esta abordagem está alinhada com a construção 4.0, baseada na digitalização, automação e modularidade.

A parceria com a Trina Green Hydrogen poderá posicionar Portugal no hidrogénio verde. Que impacto antecipa para o setor da construção e para a Sotecnisol? Que outras parcerias relevantes para o setor pode destacar?

A parceria com a Trina Green Hydrogen poderá acelerar a criação de um ecossistema nacional de hidrogénio verde, com impacto direto na indústria e na construção de novas infraestruturas energéticas. Para o Grupo Sotecnisol, representa uma oportunidade de participar em projetos tecnicamente avançados, reforçando competências em energia e sustentabilidade.

Como integra a sustentabilidade e a descarbonização nas várias áreas de atividade, em particular no setor da construção?

Somos o único grupo em Portugal que oferece um serviço completo ‘chave na mão’ de reabilitação de coberturas e instalação de centrais fotovoltaicas. Isto significa que tratamos da impermeabilização, isolamento, reforço estrutural, instalação dos painéis solares e manutenção, garantindo uma solução integrada.

Esta abordagem reduz emissões, melhora eficiência energética e aumenta a durabilidade dos edifícios. Integramos ainda soluções de mobilidade elétrica, eficiência energética e materiais mais sustentáveis, contribuindo ativamente para a descarbonização do setor. Além disso, desenvolvemos também contratos PPA (Power Purchase Agreement). Estes contratos consistem num acordo de longo prazo através do qual o cliente compra energia renovável produzida por uma central fotovoltaica a um preço previamente definido, normalmente sem necessidade de investimento inicial por parte do cliente.

Num contexto de escassez de mão de obra qualificada, como atrair e reter talento no setor da construção?

A atração e retenção de talento passam por três pilares: formação contínua, valorização profissional e estabilidade. A Academia Sotecnisol é central neste processo, garantindo qualificação técnica e progressão de carreira. Apostamos também em boas condições de trabalho, cultura de proximidade e projetos desafiantes.

Como antevê a evolução do setor da construção nos próximos cinco anos, em Portugal e nos mercados onde a Sotecnisol opera?

Nos próximos cinco anos, o setor será cada vez mais tecnológico, sustentável e industrializado. A digitalização, a construção modular, a eficiência energética e as energias renováveis ganharão peso significativo. Nos mercados onde operamos — Portugal, Espanha, França e África — prevemos crescimento, mas também maior exigência técnica e regulatória. O Grupo Sotecnisol continuará a posicionar-se na linha da frente, combinando especialização e inovação para responder aos desafios do futuro.

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