Em qualquer obra de edificação ou engenharia civil que implique movimentação de terras, a água é uma variável que raramente se consegue controlar, mas que é sempre necessário gerir. Infiltrações, chuvas imprevistas, níveis freáticos variáveis: a drenagem não é uma tarefa pontual, mas uma condição permanente que afeta prazos, custos e segurança.
Durante décadas, a resposta do setor foi tecnicamente conservadora: bombas de drenagem robustas, sim, mas com uma lógica de funcionamento estática. A bomba trabalha a plena potência ou não trabalha. O resultado é desgaste acelerado, consumo energético desproporcionado e, em muitas instalações, o conhecido problema do funcionamento em seco quando o nível de água baixa sem que ninguém o detete a tempo.
As bombas de drenagem convencionais operam sobre uma curva QH fixa: uma relação predeterminada entre caudal e altura manométrica que não varia com as condições reais da escavação. Isto obriga a equipa de obra a escolher entre sobredimensionar o equipamento — com o sobrecusto que implica — ou arriscar que a bomba não responda eficientemente quando as condições mudam.
Em escavações de alguma profundidade ou com afluência de água variável, esta rigidez torna-se um problema operacional real. Os arranques e paragens frequentes geram golpes de aríete, ruídos de sucção — tecnicamente designados por 'snoring' — e picos de consumo que encurtam a vida útil do equipamento e elevam os custos de manutenção.
A Flygt Bibo Alpha, da Xylem, representa um avanço técnico significativo face a este modelo de funcionamento. É a primeira bomba de drenagem submersível que integra um variador de frequência (VFD) completamente embebido, capaz de adaptar de forma autónoma a velocidade e o rendimento do motor sem qualquer intervenção do operador. O seu funcionamento é verdadeiramente 'plug-and-play': liga-se e começa a operar, ajustando-se em tempo real às condições do poço.
A bomba dispõe de dois modos de operação selecionáveis. O modo Adaptativo mantém um nível constante e reduzido na instalação: a bomba nunca chega a parar, ajustando automaticamente a sua velocidade em função do caudal afluente. Se detetar 'snoring', reduz a velocidade para proteger o equipamento; quando a água volta a entrar, acelera de forma proporcional. O modo Controlo de Nível permite bombear entre dois níveis predefinidos, ativando-se apenas quando há água presente — o modo mais eficiente em termos energéticos e de desgaste.
O efeito sobre a operação em obra é direto: desaparece o ruído de sucção, elimina-se o risco de funcionamento em seco e o desgaste dos componentes reduz-se até 70% face a equipamentos convencionais. A poupança energética pode atingir os 60%, um valor particularmente relevante em projetos onde o esgotamento opera de forma contínua durante semanas ou meses.
Um dos condicionantes habituais em obra é o espaço e a logística de acesso. O design da Bibo Alpha responde a esta realidade com 30% menos componentes face a gerações anteriores, o que simplifica tanto o inventário de sobresselentes como a manutenção em campo. Uma arquitetura mais simples reduz os pontos de falha potenciais e permite que dois operadores instalem e coloquem o equipamento em funcionamento sem recurso a maquinaria auxiliar, como gruas ou elevadores.
Esta combinação — inteligência operacional, eficiência energética e design compacto — tem sido historicamente uma das mais difíceis de alcançar em equipamentos de drenagem. De acordo com os dados da Xylem, ao longo de quatro anos de utilização o custo total de operação reduz-se entre 22%, no primeiro ano, e até 39% em média acumulada, como consequência de menor necessidade de reparação e um tempo operacional até quatro vezes superior ao de uma bomba convencional.
O que torna a Flygt Bibo Alpha relevante não é ser melhor nos mesmos parâmetros de sempre, mas alargar o campo de rendimento para além do que uma curva QH estática permite. Um único equipamento de 8 kW cobre eficazmente uma gama equivalente a bombas entre 2 kW e 10 kW, o que permite padronizar a frota, reduzir o número de modelos distintos em obra e simplificar a gestão logística.
Para as equipas técnicas e diretores de obra, a questão já não é apenas quantos metros cúbicos por hora são necessários, mas como deve reagir o sistema de drenagem quando esse valor muda, e quanto custa não o fazer corretamente.
Os benefícios descritos não são projeções teóricas. Duas experiências de implementação em contextos radicalmente distintos — uma mina de grande profundidade na Suécia e uma situação de inundação no metro de Guadalajara, no México — ilustram a amplitude da aplicação desta tecnologia e a consistência dos seus resultados.
NO TERRENO | Mina Renström da New Boliden
Área de Boliden, Suécia | Mineração subterrânea
Com mais de 440.000 toneladas anuais de ouro, prata, cobre, zinco e chumbo, a mina Renström da New Boliden é uma das mais profundas da Europa. À escala desta operação, cada interrupção não planeada tem consequências diretas na produção e na segurança.
O processo abrasivo de extração mineral submetia os equipamentos de drenagem a um desgaste progressivo que gerava paragens recorrentes. No âmbito do seu programa de automação — orientado para desenvolver a primeira mina totalmente autónoma do mundo — a Boliden associou-se à Xylem para encontrar soluções de drenagem inteligente.
A capacidade plug-and-play da Flygt Bibo Alpha permitiu integrá-la na operação existente de Renström sem necessidade de reconfigurações. Cada bomba de 8 kW cobre uma gama equivalente à de várias bombas convencionais, simplificando a gestão da frota. Após três anos de ensaio em campo, a Boliden formalizou uma encomenda alargada e subscreveu um contrato de manutenção exclusivo com a Xylem.
“A instalação dos primeiros protótipos trouxe uma mudança significativa. Pela primeira vez tínhamos acesso a um sistema que se adaptava automaticamente ao seu ambiente, permitindo que os processos continuassem sem interrupção” - Mats Isaksson, engenheiro sénior de Desenvolvimento, New Boliden
NO TERRENO | Metro de Guadalajara — Estação Independencia
Guadalajara, Jalisco, México | Infraestrutura urbana subterrânea
O Sistema de Comboio Elétrico Urbano de Guadalajara (SITEUR) transporta mais de 360.000 utilizadores diariamente. No final de 2021, o sistema de bombagem da Estação Independencia falhou e foi ativado o alerta de inundação, colocando em risco a continuidade do serviço numa das estações de maior tráfego da rede.
O tempo era o fator crítico. A solução tinha de ser rápida a instalar, capaz de operar de forma autónoma e de se adaptar ao sistema hidráulico existente sem impactar as instalações elétricas da estação. A equipa técnica da Xylem implementou a Flygt Bibo Alpha em novembro de 2021.
Com apenas dois operadores, a bomba ficou instalada e em funcionamento sem necessidade de grua nem painel de controlo externo. Uma vez ligada, o sistema regulou de forma autónoma o nível do poço 24 horas por dia, utilizando o sensor de pressão integrado. Após cinco meses de operação contínua sem incidentes, o SITEUR formalizou a compra do equipamento e avaliou estender a tecnologia a estações semelhantes da rede.
“É surpreendente que não necessite de um painel de controlo para todas as funções que executa. O seu tamanho reduzido facilita enormemente o manuseamento e a instalação” - Alan Francisco López Castillo, supervisor de Manutenção, SITEUR
Flygt Bibo Alpha é uma marca da Xylem Inc. | xylem.com


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