Com um investimento de 2,5 milhões de euros e uma área de 25 mil metros quadrados, a base operacional inaugurada pela Loxam em Palmela assinala uma nova etapa na presença do grupo em Portugal. Mais do que uma delegação, a infraestrutura passa a concentrar as operações nacionais da empresa, reforçando a capacidade de resposta aos setores da construção, indústria, energia e logística.
À esquerda, Gérard Déprez, presidente do Grupo Loxam; ao centro, Hugo Filipe Fonseca, diretor da Área Portugal da Loxam; à direita, Luis Ángel Salas, CEO da Loxam Ibéria.
Quando o Grupo Loxam decidiu instalar a sua nova base operacional portuguesa em Palmela, o objetivo não era apenas abrir mais uma delegação. A ambição passava por criar uma infraestrutura capaz de acompanhar a transformação que a própria operação portuguesa tem vivido nos últimos anos e responder a um mercado que continua a ganhar importância na estratégia europeia do grupo.
Localizada no Parque Industrial Autoeuropa, a nova unidade, inaugurada a 19 de junho, representa um investimento de 2,5 milhões de euros e passa a assumir o papel de centro das operações da empresa em Portugal. Com uma área total de 25 mil metros quadrados, a unidade foi concebida para servir um mercado cada vez mais exigente e diversificado, reforçando simultaneamente o papel de Portugal na estratégia ibérica e europeia do grupo.
A importância do investimento ultrapassa a dimensão física das instalações. Para Gérard Déprez, presidente do Grupo Loxam, a nova base simboliza a evolução da operação portuguesa nos últimos anos. O responsável considera mesmo que representa um ponto de viragem para a empresa no mercado nacional. “Até agora era um pequeno país no nosso portefólio. Agora tornou-se um grande país”, acrescentou, sublinhando que Portugal passou a assumir um peso crescente na estratégia internacional do grupo.
Atualmente, a empresa conta com oito delegações em Portugal e prevê criar até 50 postos de trabalho associados à nova unidade de Palmela numa fase inicial.
A escolha de Palmela está longe de ser casual. Localizada junto de um dos principais polos industriais do país, a nova base beneficia da presença de grandes empresas, operadores logísticos e projetos de infraestrutura que estão a transformar a região.
A proximidade aos clientes foi, aliás, uma das razões apontadas por Hugo Filipe Fonseca, diretor da Área Portugal da Loxam, para justificar o investimento. Nos últimos anos, a empresa reforçou significativamente a sua cobertura territorial, passando de uma única delegação na região de Lisboa para três. O objetivo é reduzir os tempos de resposta, aumentar a disponibilidade de equipamentos e assegurar um acompanhamento mais próximo dos clientes. “Sempre acreditámos que, para servir bem, é preciso estar perto”, afirmou durante a cerimónia.
Como esclarece o responsável, a localização permite responder com maior rapidez às necessidades dos clientes da Área Metropolitana de Lisboa, ao mesmo tempo que apoia projetos em desenvolvimento noutras regiões, incluindo o Alentejo.
Esta implantação estratégica traduz-se em ganhos concretos de eficiência e capacidade de resposta, particularmente em zonas onde a atividade industrial e o investimento em infraestruturas são mais intensos. Hugo Filipe Fonseca destacou o exemplo da Autoeuropa e da sua cadeia de fornecedores como um fator relevante para a operação da empresa.
Embora a inauguração oficial tenha ocorrido a 19 de junho, a operação arrancou em janeiro. E os primeiros resultados parecem confirmar as expectativas da empresa: “Já estamos a superar todos os objetivos que tínhamos definido para este semestre”, revelou Hugo Filipe Fonseca.
Mais do que uma delegação convencional, Palmela foi concebida como um hub operacional capaz de concentrar diferentes áreas de negócio da Loxam. A construção continua a representar uma parte importante da atividade da empresa, mas a operação estende-se também à indústria, energia temporária, plataformas elevatórias, manutenção industrial, logística aeroportuária, apoio a eventos e produções cinematográficas.
Esta diversidade reflete o posicionamento da Loxam enquanto empresa “multiespecialista”, conceito destacado por Luis Ángel Salas, CEO da Loxam Ibéria, para caracterizar uma oferta que reúne diferentes especialidades sob a mesma estrutura. Ao contrário de operadores focados exclusivamente num só segmento, a empresa procura disponibilizar uma resposta integrada a diferentes necessidades dos clientes.
Uma das principais novidades introduzidas em Palmela é a área dedicada a espaços modulares, uma linha de negócio já presente noutros mercados do grupo, mas que passa agora a estar disponível em Portugal. Segundo Hugo Filipe Fonseca, esta é uma das apostas estratégicas da empresa para os próximos anos, complementando a oferta tradicional de aluguer de equipamentos.
As instalações incluem igualmente uma área dedicada à divisão Power, especializada em grupos geradores e soluções de energia temporária para aplicações industriais críticas e eventos que exigem elevados níveis de fiabilidade operacional.
Outro dos destaques é o novo serviço de assistência técnica suportado por carrinhas SAT, equipadas com ferramentas de diagnóstico avançado e componentes de substituição rápida. Na prática, funcionam como oficinas móveis capazes de resolver problemas diretamente no terreno, reduzindo tempos de paragem e aumentando a disponibilidade dos equipamentos.
Palmela assume ainda um papel central no reforço da oferta de equipamentos ligeiros, uma área que a empresa considera ter elevado potencial de crescimento no mercado nacional.
A aposta da Loxam em Portugal surge num momento particularmente favorável para o setor do aluguer de equipamentos. Como informou Luis Ángel Salas, o mercado português continua a apresentar uma das mais elevadas taxas de crescimento da Europa: “Portugal não é apenas um vizinho estratégico, é um mercado em pleno crescimento e com um potencial extraordinário”, afirmou.
De acordo com o responsável, os dados mais recentes apresentados pela European Rental Association apontam para um crescimento próximo dos 7% no mercado português, acima das previsões para a maioria dos países europeus.
O dinamismo não resulta apenas da construção. O desenvolvimento de centros de dados, investimentos ligados à transição energética, expansão da atividade logística, crescimento industrial e turismo estão igualmente a impulsionar a procura por equipamentos. “Em épocas de incerteza, as empresas preferem alugar máquinas e equipamentos em vez de os comprar”, observou Luis Ángel Salas, destacando uma tendência que tem favorecido o crescimento do setor em toda a Europa.
O CEO da Loxam Ibéria acredita que projetos como o novo aeroporto, os investimentos em Sines, as infraestruturas energéticas e os grandes empreendimentos industriais devem continuar a sustentar a evolução do mercado nos próximos anos.
A própria evolução da operação portuguesa da Loxam ilustra essa realidade. Em apenas quatro anos, a faturação da empresa passou de cerca de seis milhões para aproximadamente 25 milhões de euros. No mesmo período, o número de colaboradores aumentou de 35 para 110 profissionais.
Durante a cerimónia, Hugo Filipe Fonseca atribuiu esse crescimento à confiança dos clientes e parceiros: “Graças à vossa confiança, tornámo-nos uma grande empresa num curto espaço de tempo”, afirmou.
A estratégia de crescimento não assenta apenas na expansão geográfica. A empresa tem vindo a reforçar o investimento na renovação da frota e na digitalização dos serviços. Segundo Luis Ángel Salas, a idade média dos equipamentos da Loxam situa-se abaixo dos seis anos, significativamente inferior à média do setor, que ronda os 11 anos. A renovação da frota é encarada como um fator de competitividade, permitindo melhorar níveis de segurança, eficiência energética e fiabilidade operacional.
A eficiência operacional da frota é igualmente evidenciada pelos seus níveis de utilização. A taxa média de ocupação dos equipamentos supera os 72%, destaca Luis Ángel Salas, um valor que traduz não só a procura registada pela empresa, mas também a capacidade de gestão e rotação dos ativos entre diferentes obras, clientes e setores de atividade.
Ao mesmo tempo, a digitalização tornou-se uma componente cada vez mais relevante da proposta de valor da empresa. Todas as máquinas estão geolocalizadas e ligadas a sistemas de monitorização que permitem recolher informação sobre localização, utilização e desempenho dos equipamentos.
Para o CEO da Loxam Ibéria, esta capacidade torna-se particularmente relevante para empresas que gerem múltiplas máquinas em simultâneo e necessitam de acompanhar a utilização dos ativos distribuídos por várias obras.
A sustentabilidade foi outro dos temas centrais da inauguração. A unidade de Palmela funciona também como ponto de acesso à estratégia LoxGreen, através da qual a empresa procura disponibilizar equipamentos de menor impacto ambiental e apoiar os processos de descarbonização dos clientes. Como adianta Hugo Filipe Fonseca, mais de 50% da frota atualmente disponível em Portugal integra já esta categoria, que inclui equipamentos elétricos e híbridos.
Para Gérard Déprez, esta evolução está alinhada com a própria natureza do negócio de aluguer: “A Loxam é um modo de partilhar equipamentos e faz parte da economia circular”, afirmou. O presidente do grupo defende que o aluguer permite otimizar a utilização dos recursos e reduzir o desperdício associado à aquisição de equipamentos subutilizados: “Tentamos utilizar os nossos equipamentos durante o maior tempo possível através de uma política de manutenção rigorosa”, acrescentou.
A segurança constitui outro dos pilares da estratégia da empresa. A operação portuguesa implementou o programa interno Plano Zero, destinado à prevenção de acidentes de trabalho e à promoção de uma cultura de segurança transversal a todas as equipas. Os resultados apresentados pela empresa indicam que, nos últimos quatro anos, foram registados apenas quatro acidentes de trabalho em Portugal, não tendo ocorrido qualquer acidente em 2025.
Também nesta área, Luis Ángel Salas deixou uma mensagem clara. “O crescimento sem valores não é sustentável”, frisou, identificando a sustentabilidade, as pessoas e a segurança como os três pilares que orientam o desenvolvimento da empresa.
O responsável reforçou ainda a importância da formação, uma área que a Loxam pretende expandir em Portugal. O grupo é atualmente um dos principais operadores ibéricos na formação de operadores e trabalhos em altura, atividade que deve ganhar maior expressão a partir da nova base.
Para Gérard Déprez, o investimento agora inaugurado não representa um ponto de chegada, mas antes uma plataforma para a próxima fase de crescimento da empresa no país. “Vamos continuar a investir em Portugal”, garantiu, adiantando que o grupo pretende reforçar a rede nacional, aumentar a diversidade da frota e explorar novas oportunidades de desenvolvimento num mercado que continua a destacar-se entre os mais dinâmicos da Europa.


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