A GAM, multinacional especializada em soluções para a indústria, encerrou o primeiro semestre de 2026 com um lucro líquido de 6,3 milhões de euros, mais do dobro do registado no mesmo período do ano anterior, quando atingiu 2,8 milhões de euros. Este crescimento de 127% permitiu duplicar a rentabilidade sobre as vendas, que passou de 2% para 4%.
As receitas ascenderam a 156,1 milhões de euros, o que representa um crescimento de 3% face ao período homólogo. O EBITDA aumentou igualmente 3%, para 43,9 milhões de euros, mantendo a margem estável nos 28%. Já o EBIT registou uma evolução mais expressiva, crescendo 22%, para 17 milhões de euros, com a respetiva margem a passar de 9% para 11%, de acordo com os dados divulgados pela empresa.
A evolução do semestre foi equilibrada entre as principais áreas de negócio. A área de aluguer e serviços gerou receitas de 58,2 milhões de euros (37% do total), a distribuição e pós-venda atingiu 53,7 milhões de euros (34%) e o negócio recorrente de longo prazo totalizou 44,2 milhões de euros (29%). As três áreas registaram crescimentos entre 2% e 3%, "mantendo um mix diversificado que reduz a dependência de uma única fonte de receitas e confere maior estabilidade ao conjunto do grupo", refere a GAM.
Em termos geográficos, a Península Ibérica registou um crescimento de 1%, alcançando 127,8 milhões de euros, enquanto a América Latina foi o principal motor da expansão, com um aumento de 11%, para 22,6 milhões de euros.
A melhoria do desempenho refletiu-se igualmente na geração de caixa. Durante o semestre, a GAM gerou 51,3 milhões de euros de caixa operacional. Após o investimento em maquinaria e os pagamentos associados a aquisições, a empresa manteve um fluxo de caixa positivo de 15,6 milhões de euros, antes de financiamento.
O investimento em maquinaria ascendeu a 29,9 milhões de euros, contando com um contributo relevante de equipamentos provenientes da Reviver, a unidade de refabricação do grupo, que prolonga a vida útil dos equipamentos e reduz a necessidade de os substituir por maquinaria nova. A empresa mantém como objetivo limitar o investimento a um intervalo entre 55% e 60% do EBITDA até ao final de 2026.
Antonio Trelles, diretor financeiro da GAM, afirma: "Estes resultados confirmam que a GAM está a avançar para um modelo de crescimento de maior qualidade. Não se trata apenas de aumentar a atividade, mas de o fazer com melhores margens, maior recorrência e uma utilização mais eficiente do capital. O facto de o resultado operacional crescer muito acima das receitas demonstra que as decisões tomadas nos últimos anos — a diversificação do negócio, o desenvolvimento de serviços de maior valor acrescentado e a disciplina de investimento — estão a reforçar a capacidade de geração de resultados da GAM. O nosso objetivo para a segunda metade do ano passa por consolidar esta evolução, refletindo-a na geração de caixa e continuando a crescer com base numa estrutura financeira sólida".
Durante os primeiros seis meses do ano, a dívida financeira líquida situou-se nos 294,1 milhões de euros, face aos 288,5 milhões de euros registados em junho de 2025. Segundo a empresa, esta evolução resulta sobretudo do aumento das necessidades de financiamento do fundo de maneio e de investimentos ainda por estruturar a longo prazo.
Apesar disso, o rácio de alavancagem reduziu-se de 3,4 para 3,3 vezes o EBITDA.
"Ou seja, embora a dívida tenha aumentado em termos absolutos, também melhorou a capacidade relativa do grupo para a suportar. A GAM mantém ainda uma posição de liquidez de 62,3 milhões de euros, reforçando a sua capacidade para responder às necessidades operacionais e continuar a desenvolver os seus projetos de crescimento", acrescenta a empresa.
A solidez do modelo de negócio assenta igualmente numa carteira contratual de longo prazo superior a 280 milhões de euros, que proporciona visibilidade sobre uma parte significativa das receitas futuras. A isto junta-se uma base de negócio diversificada entre aluguer, distribuição, pós-venda e serviços recorrentes, bem como projetos como Reviver, Kirleo e Inquieto.
Para a segunda metade do ano, a empresa adianta que continuará a impulsionar a sua expansão internacional e o desenvolvimento de áreas estratégicas como a energia, a construção modular e os eventos. Paralelamente, prosseguirá a expansão da atividade de distribuição através da incorporação de novas marcas e da celebração de acordos com fabricantes, uma estratégia que permite aumentar a atividade e reforçar a relação com os clientes sem depender exclusivamente do crescimento da frota própria.


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