João Paulo Cunha, Asset Management director, STET
21/09/2026
Portugal encontra-se perante um novo ciclo de investimento em novas infraestruturas. Este contexto cria oportunidades, mas também coloca pressão sobre as empresas, que procuram aumentar capacidade produtiva sem necessariamente assumir todo o investimento. A combinação entre elevada procura e restrições de CAPEX torna o aluguer uma solução cada vez mais relevante.
As motivações dos clientes são, naturalmente, diversas. A possibilidade de aceder a equipamentos sem realizar um investimento inicial significativo é uma delas. Mas há outras: responder a picos de atividade, testar equipamentos antes de uma aquisição, evitar ativos parados ou libertar capital para outras áreas do negócio.
É por isso que a comparação entre compra e aluguer não deve ser feita apenas com base no preço mensal. Deve também considerar o custo total de utilização do equipamento, incluindo financiamento, manutenção, disponibilidade, risco de desvalorização, utilização efetiva e valor residual.
Para determinados perfis de utilização, comprar continuará a fazer todo o sentido. Para outros, o aluguer pode permitir maior flexibilidade e eficiência financeira. E existe uma terceira possibilidade: combinar as duas soluções numa estratégia de gestão de frota adaptada às necessidades concretas de cada empresa.
É aqui que o papel do fornecedor está também a mudar.
O cliente já não procura apenas uma máquina disponível. Procura disponibilidade, assistência, acompanhamento e confiança de que o equipamento estará operacional quando dele precisar. O serviço e a capacidade de acompanhar o ativo ao longo da sua utilização tornam-se, por isso, elementos fundamentais da proposta de valor.
Na STET, entendemos o aluguer como parte de uma abordagem mais ampla de Asset Management. O objetivo é gerir o equipamento ao longo de todo o seu ciclo de vida: adquirir no momento adequado, maximizar a utilização e eficiência operacional, assegurar a manutenção e, quando chegar o momento certo, realizar o ativo no mercado de usados. Esta lógica permite aumentar a rotação do capital, melhorar a competitividade do aluguer e criar uma oferta estruturada de equipamentos seminovos e usados.
Esta perspetiva tem também uma dimensão de sustentabilidade. Prolongar a vida útil dos equipamentos, maximizar a sua utilização, recorrer à manutenção preventiva e dar uma segunda vida a equipamentos que continuam a ter valor são formas concretas de utilizar melhor os recursos. A economia circular começa, muitas vezes, precisamente na capacidade de gerir melhor aquilo que já temos.
O setor enfrenta, contudo, desafios importantes. A crescente competitividade do mercado de aluguer exige maior eficiência na aquisição, preparação, manutenção e rotação das frotas. Exige também conhecimento profundo das necessidades dos diferentes setores e capacidade para garantir disponibilidade sem criar excesso de equipamentos parados.
O futuro deverá passar, por isso, de uma lógica de simples aluguer para uma lógica de soluções de frota. Dados, telemática, manutenção preditiva e ferramentas digitais permitirão conhecer melhor a utilização dos equipamentos e tomar decisões mais informadas sobre quando comprar, alugar, substituir ou vender.
O aluguer não é, assim, apenas uma forma diferente de adquirir capacidade produtiva. É uma ferramenta de gestão.
E quanto melhor conseguirmos gerir cada equipamento ao longo de todo o seu ciclo de vida, maior será o valor que conseguimos criar para os nossos clientes, para o nosso negócio e para o próprio ativo.

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