ENTREVISTA 41 A JCB celebrou recentemente a produção da sua milionésima retroescavadora. O que representa este marco? Este número demonstra a importância global da retroescavadora. Desde 1953 que é uma máquina essencial em qualquer obra. O facto de a unidade um milhão ser uma 4CX mostra bem a evolução tecnológica do produto e a confiança do mercado. A JCB mantém mais de 50% de quota mundial, o que reforça a sua liderança. Portugal, em apenas 40 anos, conseguiu 1,2% da quota mundial. Como caracteriza o mercado português de retroescavadoras? É um mercado estável e resiliente. Nos últimos 40 anos, vendeu-se praticamente uma retroescavadora por dia em Portugal. Em 2025, vendemos cerca de duas por semana, com um crescimento de 10,5%. Isto demonstra que continua a haver procura consistente. Qual é a dimensão do parque instalado no país? Estimamos entre 7.000 e 8.000 retroescavadoras de todas as marcas. É um número significativo e mostra o peso destas máquinas na atividade da construção e das obras públicas. O que explica a longevidade destas máquinas? A durabilidade é um dos seus grandes trunfos. Uma retroescavadora trabalha, em média, 16 anos. Isto traduz-se num excelente retorno do investimento para os clientes e numa grande fiabilidade operacional. O modelo 3CX continua a ser uma referência? Sem dúvida. É provavelmente a máquina mais popular do mundo na sua classe desde o seu lançamento, nos anos 80. A sua versatilidade e robustez fazem dela uma escolha segura para qualquer tipo de obra. Em termos tecnológicos, o que diferencia as retroescavadoras JCB? São, claramente, as mais evoluídas do mercado. A JCB tem investido muito em inovação, quer ao nível da eficiência, quer do conforto e da segurança do operador. Hoje, estamos também a entrar numa nova fase, com a inteligência artificial a começar a influenciar o setor. São as máquinas mais económicas do mercado. Que impacto terá essa evolução tecnológica no curto prazo? Nos próximos 24 meses vamos assistir a uma verdadeira revolução na distribuição e operação de máquinas. A inteligência artificial vai permitir otimizar processos, antecipar falhas e melhorar a produtividade. As retroescavadoras não vão ficar de fora dessa transformação. A escassez de mão de obra qualificada é um problema real? É um dos maiores desafios do setor. Há 15 a 20 anos que praticamente deixámos de formar mecânicos em Portugal. Hoje, todas as empresas estão com dificuldades em encontrar técnicos. Isto condiciona o crescimento e obriga-nos a investir mais na formação interna. Em breve teremos notícias bastante otimistas. A Motivo tem tido um papel relevante no mercado nacional. Como resume esse percurso? São 50 anos de atividade e mais de 25.000 máquinas vendidas, muitas delas JCB. Lideramos o mercado há 40 anos e temos uma rede de mais de 40 técnicos no terreno. A nossa aposta sempre foi na qualidade do serviço e na proximidade com o cliente. As retroescavadoras continuam a ser competitivas face a outras máquinas, como as miniescavadoras? Apesar da tendência de crescimento das miniescavadoras, a retroescavadora continua a ser a máquina mais completa. Faz escavação, carregamento e transporte, tudo numa só unidade. É uma solução extremamente versátil e económica. Tem defendido que as retroescavadoras desempenham um papel crucial em situações de emergência. Porquê? Porque têm características únicas. Conseguem circular em água até cerca de 80 centímetros, o que foi evidente durante as recentes inundações, onde vimos máquinas a salvar pessoas e animais. Além disso, podem atingir uma velocidade máxima em marcha-atrás até 40km/h, permitindo ao operador sair rapidamente de situações de perigo, como incêndios, bastando apenas girar o banco. Não há outra máquina com esta capacidade. Por isso digo: as retroescavadoras salvam Portugal. n “As retroescavadoras salvam Portugal — nenhuma outra máquina combina tanta versatilidade, segurança e capacidade de resposta”
RkJQdWJsaXNoZXIy Njg1MjYx