7 EDITORIAL O setor da construção em Portugal atravessa um momento particularmente favorável, sustentado por uma sólida carteira de projetos em infraestruturas e edificação que estão a dinamizar a atividade em todo o país. A execução de obras ligadas à modernização das redes de transporte, à expansão de equipamentos públicos e ao desenvolvimento residencial — impulsionado, em parte, por fundos europeus — está a gerar um contexto de crescimento sustentado, refletido tanto no investimento como no emprego. Este enquadramento positivo não só consolida a recuperação do setor, como também reforça o seu papel estratégico na economia portuguesa. As empresas de construção, juntamente com fabricantes e distribuidores de maquinaria, encontram novas oportunidades para inovar, aumentar a sua competitividade e expandir a sua presença em mercados internacionais. No entanto, este cenário de dinamismo não está isento de desafios. A escassez de mão de obra qualificada continua a ser uma das principais preocupações, tal como o aumento dos custos dos materiais e a necessidade de adaptação a exigências crescentes em matéria de sustentabilidade e digitalização. A transição para modelos construtivos mais eficientes e ambientalmente responsáveis exige investimento, formação e uma visão estratégica de médio e longo prazo. Neste contexto, a realização da Smopyc 2026, na Feria de Zaragoza, de 15 a 18 de abril, apresenta-se como uma oportunidade-chave para o mercado ibérico. A presença de empresas portuguesas entre os expositores reflete o crescente interesse em reforçar a cooperação transfronteiriça e explorar novas oportunidades de negócio. Para os profissionais portugueses que visitem a Smopyc, a feira representa muito mais do que uma montra de novidades tecnológicas: é um espaço privilegiado para estabelecer contactos, identificar tendências e partilhar conhecimento num ambiente altamente especializado. A internacionalização, a inovação e a colaboração serão, sem dúvida, alguns dos eixos que marcarão esta edição. Assim, num momento de impulso para a construção em Portugal, a ligação a eventos de referência como a Smopyc assume uma relevância acrescida. Aproveitar estas oportunidades será determinante para consolidar o crescimento atual e enfrentar com sucesso os desafios que irão moldar o futuro do setor. Impulso e oportunidades à escala Ibérica Investimento em construção aumenta 5,5% em 2025 De acordo com as Contas Nacionais Trimestrais divulgadas pelo INE, a economia portuguesa evidenciou resiliência, com o PIB a registar um crescimento homólogo de 1,9% em 2025. Neste enquadramento macroeconómico, o setor da construção destacou-se pelo seu contributo para a atividade económica, com o investimento em construção a aumentar 5,5% e o Valor Acrescentado Bruto do setor a crescer 1,7%, ambos face ao ano anterior. Este desempenho foi acompanhado por uma evolução positiva do licenciamento total de obras de edificação e reabilitação, que encerrou 2025 com um crescimento de 1,8%. Esta evolução resultou de um aumento de 3,3% nas licenças relativas a habitação familiar, contrastando com uma redução de 2,7% nas licenças para edifícios não residenciais. Destaca-se, em particular, o licenciamento de fogos em construções novas, que registou, em 2025, um aumento homólogo expressivo de 20,1%, totalizando 41.592 alojamentos. O Índice de Custos de Construção de Habitação Nova terminou o ano com um acréscimo de 4%, fortemente pressionado pela componente de mão de obra, que registou um aumento de 7,7%, contrastando com uma variação moderada de 0,9% observada nos materiais. No que respeita ao consumo de cimento, registou-se uma variação homóloga de 0,7% em 2025. Embora mais moderada face a outros indicadores de atividade, esta evolução mantém-se positiva e compatível com a continuidade das obras em curso.
RkJQdWJsaXNoZXIy Njg1MjYx