BO17 - EngeObras

ENTREVISTA 15 Que pequeno momento do quotidiano o faz sentir realmente feliz? Fazem-me felizes aqueles pequenos momentos quotidianos em família que muitas vezes damos como garantidos. Um café, um abraço ou umas gargalhadas espontâneas. São gestos simples e repetidos todos os dias, mas têm um valor incalculável porque nos recordam aquilo que realmente importa. Quando ninguém o vê como “o Chefe”, como é realmente? Continuo a ser o mesmo: uma pessoa simples, com entusiasmo pelo que faz e que gosta de estar perto dos seus. No final, para além do trabalho, o que realmente me define são as pessoas com quem partilho a vida. Que música costuma ouvir no carro ou em casa? Durante a semana não é fácil haver muita música no carro, porque o habitual é estar a encadear uma chamada atrás de outra. Mas, quando encontro esses pequenos momentos entre uma conversa e outra, costuma tocar a música com que cresci: Estopa, Juanes ou La Oreja de Van Gogh. São canções que me transportam para diferentes etapas da minha vida. Isso sim, quando viajo com as minhas filhas, o repertório muda completamente e o comando passa para as mãos delas: nessa altura ouvem-se RVFV, Quevedo ou alguma música da Taylor Swift. A verdade é que, graças a elas, estou bastante mais atualizado sobre a música atual do que estaria por minha conta. Há alguma atividade ou hobby que o ajude a desligar completamente do trabalho? Claro que sim. Para mim, poucas coisas ajudam mais a desligar do que um bom jantar com amigos, acompanhado por um bom Ribera del Duero de Valladolid. Para além da gastronomia, valorizo muito esses momentos de conversa sincera, sem pressas e rodeado de pessoas que me conhecem desde sempre. Creio que é importante manter por perto os amigos de toda a vida, partilhar com eles tanto as alegrias como as dificuldades e recordar que, no final, são essas relações que realmente nos mantêm ligados ao essencial. Que lugar do mundo mudou a sua forma de ver a vida? A verdade é que não há um lugar concreto que tenha mudado a minha forma de ver a vida. Creio que aquilo que realmente vai transformando a nossa visão do mundo é a soma de experiências, das pessoas que conhecemos e das culturas com as quais entramos em contacto. Cada viagem, cada conversa e cada realidade diferente que descobrimos proporciona-nos uma nova perspetiva. No final, não é um destino que nos muda, mas tudo aquilo que aprendemos com as pessoas e os lugares que vamos encontrando pelo caminho. O que aprendeu em criança que ainda hoje continua a orientar as suas decisões? Os conselhos do meu pai. Quando somos crianças, nem sempre lhes damos importância, mas hoje fazem parte da minha forma de compreender a vida. Ensinou-me a tratar as pessoas como gostaria que me tratassem a mim, a trabalhar arduamente e a esforçar-me ao máximo para alcançar os meus objetivos. Também me incutiu a ideia de que não existem desafios impossíveis quando são enfrentados com vontade, perseverança e trabalho. Qual foi o livro, filme ou música que mais o marcou pessoalmente? Marc Anthony, Vivir mi vida. Se pudesse passar um dia inteiro sem obrigações, como seria esse dia perfeito? A verdade é que desfruto desse dia perfeito com bastante frequência aos fins de semana. Não preciso de grandes planos. Gosto de me levantar sem pressa, mas também não demasiado tarde, partilhar um café tranquilo com a minha mulher e depois deixar o dia fluir. O melhor é poder desfrutar do tempo com a família e os amigos, seja numa refeição, numa conversa à mesa que se prolonga mais do que o previsto ou simplesmente a partilhar bons momentos. No final, para mim, a felicidade costuma estar nessas coisas simples. Que pessoas do seu círculo são as que mais o mantêm com os pés assentes na terra? Creio que, em grande medida, sou eu próprio quem se encarrega de manter os pés assentes na terra. Estou grato pela vida que tenho e, sinceramente, não mudaria nada de importante nela. O meu objetivo não é chegar a nenhum lugar extraordinário, mas continuar a desfrutar de cada momento e valorizar tudo aquilo que consegui junto das pessoas que me rodeiam. As minhas filhas também desempenham um papel fundamental nessa tarefa. Tento transmitir-lhes os mesmos valores que o meu pai me incutiu: a importância do esforço, da humildade, do respeito pelos outros e de saber apreciar as coisas simples. No final, quando vemos a vida através dos seus olhos, recordamos aquilo que realmente importa. O que acha que surpreenderia as pessoas se descobrissem algo sobre si? Talvez ficassem surpreendidas se lhes dissesse que sei todas as letras do Quevedo. Hahahahahaha... é uma brincadeira, embora, com as minhas filhas a escolherem a música no carro, esteja cada vez mais perto disso. CONHEÇAMOS MELHOR RUBÉN GAGO…

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