BO17 - EngeObras

28 MINERAÇÃO Do subsolo à obra: Portugal prepara novo ciclo mineiro Mais de quatro décadas depois da última mina aberta em Portugal, o país volta a olhar para o seu subsolo com ambição. A procura europeia por lítio, cobre, tungsténio, estanho e terras raras está a acelerar a prospeção e a avaliação de recursos, enquanto novos projetos começam a aproximar-se da fase de engenharia e construção. Para empresas de engenharia, empreiteiros e fornecedores de equipamentos, a evolução pode significar uma nova frente de atividade, desde infraestruturas rodoviárias e redes de energia até terraplenagens, fundações, instalações industriais e sistemas de tratamento de minério. Marta Clemente Portugal tem uma longa história mineira, mas pode estar a aproximar-se de uma nova fase. A procura europeia por matérias-primas críticas, impulsionada pela transição energética, pela eletrificação e pela digitalização, voltou a colocar o subsolo nacional no radar. Para a Associação Portuguesa de Geólogos (APG), é “razoável considerar que Portugal deveria estar perante um novo ciclo de desenvolvimento da atividade mineira”, apontando a procura de matérias-primas críticas e o desenvolvimento de projetos estratégicos para a autonomia europeia como motores desta mudança. A APG identifica, porém, desafios que vão da competitividade económica e do licenciamento à proteção ambiental, aceitação social, desenvolvimento regional, conhecimento geológico, inovação e qualificação de recursos humanos. E há um dado que ajuda a perceber a dimensão do desafio: “não abre uma nova mina em Portugal há 46 anos”, diz a associação. Neves-Corvo, Aljustrel e Panasqueira continuam a ser ativos importantes e têm projetos de expansão aprovados. Já os novos projetos de lítio em Boticas e Montalegre e o projeto polimetálico da Lagoa Salgada, em Grândola, têm enfrentado contestação social, autárquica e ambiental. Para a APG, a estabilidade é uma condição essencial para uma atividade que exige investimentos e horizontes temporais longos. A associação considera que “para haver investimento tem de haver garantia de estabilidade e de uma política de longo prazo, que Caveira. Fotografia: LNEG.

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