BO17 - EngeObras

29 MINERAÇÃO não é compatível com legislaturas de quatro anos”. A APG avança ainda com a ideia de que “Portugal está a deixar passar uma janela de oportunidade histórica”, atribuindo igualmente esta perspetiva a muitos especialistas, investidores e analistas, numa altura em que a União Europeia procura reduzir a dependência externa de matérias- -primas críticas. A APG justifica, por outro lado, que desenvolvimento mineiro e proteção ambiental podem ser compatibilizados. Para isso, defende projetos tecnicamente robustos, elevados padrões ambientais e de segurança e uma relação mais próxima com as comunidades onde as explorações se inserem. CONHECIMENTO DO SUBSOLO COMO A PRIMEIRA INFRAESTRUTURA Antes de avançar para a exploração de uma mina, é necessário conhecer com rigor os recursos existentes no subsolo e avaliar o seu potencial. É precisamente nesta fase de conhecimento e caracterização dos recursos minerais que a APG e o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) identificam uma parte importante do trabalho que Portugal ainda tem pela frente. A APG entende que o país dispõe de uma base sólida de conhecimento geológico, mas insuficiente para sustentar, por si só, um novo ciclo mineiro de grande escala. Há áreas pouco estudadas em detalhe e cartografia que precisa de ser concluída ou atualizada. A associação defende novas campanhas de prospeção geológica, levantamentos geofísicos e geoquímicos e sondagens, não apenas para identificar recursos, mas também para reduzir a incerteza associada aos investimentos futuros. O potencial português não se resume ao lítio. Entre os recursos com maior interesse estratégico estão também o tungsténio, as terras raras, o cobre e o estanho. Apesar disso, o lítio assume uma posição de destaque. Os principais recursos identificados encontram-se associados a pegmatitos graníticos, sobretudo no Norte e Centro do país, e o conhecimento acumulado pelo LNEG contribuiu para o relatório ‘Lítio em Portugal’, elaborado em 2016. Em março de 2025, quatro projetos portugueses foram classificados pela Comissão Europeia como estratégicos ao abrigo do Critical Raw Materials Act, três dos quais relacionados com o lítio. O Programa Nacional de Prospecção 2025-2030 identifica igualmente este metal como uma das prioridades nacionais. Mas há outros recursos com potencial. Portugal tem mais de um século de tradição na exploração de tungsténio, com referências como Panasqueira, Borralha, Vale das Gatas, Regoufe e Ribeira. O metal é utilizado em ferramentas de corte, indústria pesada, eletrónica, aplicações aeroespaciais e defesa. O LNEG chama ainda a atenção para as antigas escombreiras e rejeitados mineiros, que podem conter concentrações de tungsténio e outros elementos suscetíveis de voltar a ter interesse económico. Nas terras raras, Portalegre e Monfortinho surgem entre as áreas de interesse. O cobre mantém importância estratégica para redes elétricas, energias renováveis, veículos elétricos, armazenamento e tecnologias digitais. Na Faixa Piritosa Ibérica, onde se encontram Neves-Corvo e Aljustrel, permanece potencial para novas descobertas, enquanto os resíduos de antigas explorações constituem também uma possível fonte secundária. O estanho completa este conjunto de recursos estratégicos. Existem numerosas ocorrências conhecidas no Norte e Centro, incluindo Argozelo, Ribeira, Vale das Gatas, Bejanca-Bodiosa e Panasqueira. Também aqui os depósitos associados a antigas explorações podem merecer nova análise à luz das tecnologias atuais. Fotografia: APG.

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