BO17 - EngeObras

31 MINERAÇÃO energéticos pressionam empresas que utilizam maquinaria pesada. A falta de mão de obra qualificada abrange tanto perfis técnicos e operacionais como engenharia especializada. A associação tem procurado responder a este último problema através de bolsas e parcerias com instituições de ensino superior. Para a APG, o enquadramento dos futuros projetos vai ter de ser igualmente exigente. Entre as condições referidas estão o conhecimento geológico detalhado, os estudos de viabilidade económica, a estabilidade do mercado, a proteção ambiental e dos recursos hídricos, medidas de minimização e compensação de impactes, planos de encerramento sustentáveis, segurança e envolvimento das comunidades locais. A associação advoga um quadro regulatório com processos de licenciamento transparentes, rigorosos e céleres. E atribui à Geologia uma função que ultrapassa a descoberta de jazigos: “O papel da Geologia é muito mais abrangente do que a visão redutora, que muitas vezes dela se tem, de ser apenas uma ferramenta de descoberta de recursos minerais”, defende. “PROGRAMA NACIONAL DE PROSPECÇÃO NÃO SERVE PARA ABRIR MINAS” O Programa Nacional de Prospecção 2025-2030 tem aqui um papel importante. Este “não foi concebido para promover a abertura de minas”, sublinha Daniel de Oliveira. O seu objetivo é reforçar o conhecimento geológico do território através da aquisição, integração e disponibilização de informação geocientífica. O programa surge no âmbito do artigo 19.º do Regulamento Europeu das Matérias-Primas Críticas e o LNEG enquadra este esforço como um investimento estruturante em soberania geológica. A redução da incerteza é uma das funções centrais do programa. Novos dados geológicos, geofísicos e geoquímicos, informação de deteção remota, reprocessamento de dados históricos e modelação avançada podem melhorar a avaliação do potencial mineral e reduzir o risco nas fases iniciais dos projetos. Para a construção e engenharia, há ainda várias etapas a cumprir antes de chegar à obra. Mas é também aqui que começa a ser determinada a possibilidade de um recurso passar, mais tarde, para um projeto com obras, equipamentos e infraestruturas. SAVANNAH: UM PROJETO JÁ A ENTRAR NA ENGENHARIA DE EXECUÇÃO O Projeto Lítio do Barroso é um dos que se encontra mais diretamente ligado à próxima fase de engenharia e construção. Segundo a Savannah Resources, este encontra-se em engenharia de detalhe e Front-End Engineering Design (FEED), enquanto decorre o cumprimento das exigências técnicas associadas à Declaração de Impacte Ambiental favorável condicionada emitida pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA). O Estudo de Viabilidade Definitivo (DFS), concluído em julho de 2026, aponta para um recurso mineral estimado de acordo com o código JORC (Joint Ore Reserves Committee) de 39,2 milhões de toneladas e uma Reserva Provável inicial de 20 milhões de toneladas, com um teor médio de 0,99% de Li2O (óxido de lítio). A empresa estima uma vida útil inicial de 14 anos e uma produção de cerca de 2,56 milhões de toneladas de concentrado de espodumena de alta pureza, que, segundo os seus cálculos, pode fornecer matéria- -prima para mais de sete milhões de baterias de veículos elétricos. O calendário apresentado pela Savannah coloca já a construção no horizonte de 2027. No quarto trimestre de 2026 está prevista a submissão do Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE) à APA, seguindo-se a decisão de conformidade e a emissão do Título Único Ambiental. Em paralelo, avançam os procedimentos relativos à variante rodoviária de Boticas e à ligação à rede elétrica de 60 kV, em articulação com a E-Redes e a DireçãoGeral de Energia e Geologia (DGEG). A empresa prevê uma Decisão Final de Investimento no início de 2027. O finanFotografia: Savannah.

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