30 MINERAÇÃO No entanto, parte do potencial ainda não está suficientemente caracterizada: “Continua a existir um vasto potencial mineral em Portugal por conhecer e quantificar”, explica Daniel de Oliveira, da Unidade de Recursos Minerais e Geofísica do LNEG. O investigador aponta, em particular, para lacunas de conhecimento em profundidade e para substâncias que apenas recentemente ganharam importância económica e estratégica. Alguns depósitos economicamente interessantes podem encontrar-se a centenas de metros de profundidade, exigindo geofísica aérea e terrestre, modelação tridimensional do subsolo e sondagens profundas. “A integração de informação geológica, geofísica, geoquímica, mineralógica e de deteção remota permite hoje construir modelos preditivos muito mais eficazes do que aqueles que estavam disponíveis em campanhas realizadas há algumas décadas”, refere Daniel de Oliveira. Há ainda uma frente que aproxima mineração e recuperação ambiental: a caracterização sistemática de antigas minas, escombreiras e depósitos de rejeitados. Portugal tem centenas destes locais e alguns podem conter metais críticos em concentrações que não eram valorizadas quando as explorações estavam ativas. A recuperação desses materiais poderá contribuir simultaneamente para a reabilitação de áreas mineiras e para o abastecimento de matérias-primas. DO RECURSO GEOLÓGICO AO PROJETO DE ENGENHARIA Entre a identificação de um depósito e a abertura de uma mina existe uma longa fase de avaliação, tal como esclarece Daniel de Oliveira: “A simples existência de uma ocorrência mineral, mesmo contendo matérias-primas críticas, não garante que esta possa ser explorada com sucesso.” É necessário conhecer a dimensão, o teor, a continuidade, a geometria, a profundidade e a variabilidade da mineralização. Depois entram os fatores mineralógicos e metalúrgicos: importa saber como os minerais úteis estão distribuídos na rocha e se podem ser concentrados e recuperados industrialmente. A engenharia surge logo a seguir. As condições geotécnicas e hidrogeológicas, o método de exploração, a disponibilidade de água e energia e as infraestruturas de transporte influenciam diretamente o desenvolvimento e os custos de operação. A estes fatores juntam-se preços das matérias-primas, investimento inicial, custos operacionais e vida útil da exploração, bem como condicionantes ambientais, territoriais e sociais. A Associação Portuguesa dos Industriais de Mármores, Granitos e Ramos Afins (Assimagra) entende que o setor dos recursos minerais atravessa “um momento de charneira”: um contexto internacional mais exigente, mas também de reforço da sua relevância estratégica. Um estudo da Nova SBE promovido pela associação e apresentado no StonebyPortugal Summit 2026 estima em 3,7 mil milhões de euros o valor gerado pela fileira e em 73.800 os empregos sustentados em Portugal. Por cada euro de Valor Acrescentado Bruto (VAB) gerado diretamente pela indústria extrativa, o estudo calcula um efeito multiplicador de 3,08 euros na economia. Para as empresas de engenharia e construção, um aumento da atividade extrativa e transformadora pode traduzir-se em procura por engenharia geológica, mineira, ambiental e de projeto, equipamentos de extração, corte, serragem e transformação, infraestruturas logísticas, acessos rodoviários e capacidade portuária. A sustentabilidade acrescenta outras necessidades: monitorização, certificação, engenharia ambiental e soluções para melhorar a eficiência no consumo de energia e água. Na pedra natural, a utilização crescente de pedra portuguesa em projetos internacionais de arquitetura gera também necessidades de especificação técnica e engenharia de projeto. Há ainda um impacto mais direto sobre a construção e as obras públicas, através da expansão ou modernização de unidades de transformação e da requalificação de infraestruturas nas regiões produtoras. A Assimagra considera que esse efeito pode beneficiar empresas de engenharia, empreiteiros, fornecedores de equipamentos e emprego nos territórios do interior. LICENCIAMENTO, ACESSOS E ENERGIA PESAM NA EQUAÇÃO A Assimagra indica a morosidade e complexidade dos processos de licenciamento ambiental e de exploração como um dos principais entraves ao investimento. As infraestruturas constituem outro problema. A associação dá como exemplo a Variante a Boticas e a ligação à A24, enquanto os custos Fotografia: APG.
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